·7 min de leitura·por Anderson Henrique

Forneria 1121: lições do primeiro piloto

Toda startup tem o primeiro cliente que define o produto. Pro Chateau.ia, esse cliente é a Forneria 1121, em Recife. Aqui vai um relato honesto do que aprendi rodando software junto com pizza saindo do forno.

PilotoForneria 1121AprendizadoBastidores

Toda startup tem o primeiro cliente que define o produto. Pro Chateau.ia, esse cliente é a Forneria 1121, em Recife. Aqui vai um relato honesto do que aprendi rodando software junto com pizza saindo do forno.

A escolha

A Forneria 1121 não foi escolha aleatória. É uma casa moderna, com chef ativo, equipe jovem, operação focada em pizza napolitana com cardápio controlado. Era exatamente o cenário onde o Kitchen Pass faria sentido mais rápido — prato repetido, padrão claro, alta cadência.

Primeira semana: o que quebrou

  • Câmera no pass quente demais. Pizzaria a lenha tem ambiente de 45-50

graus perto do forno. Câmera de prateleira começou a engasgar. Tivemos que migrar pra industrial.

  • WiFi inconsistente. A cozinha tinha um ponto morto bem onde a câmera

ficou. Resolvemos com mesh.

  • Kitchen Pass aprovando pizza errada. O modelo, treinado com fotos

controladas, aceitou pizza com a borda errada nos dois primeiros dias. Refinamos com fotos do dia a dia, não só "fotos perfeitas".

Nenhum desses problemas você descobre em desenvolvimento. Só rodando.

Segunda semana: o que surpreendeu

  • DRE inteligente virou rotina mais rápido do que imaginei. O dono

começou a usar comando de voz pra lançar gasto. Em 5 dias, ele estava fechando o caixa pela manhã sem planilha.

  • Equipe de cozinha gostou do Kitchen Pass. Eu esperava resistência

("não quero IA me julgando"). O contrário aconteceu: virou referência — "olha, o sistema aprovou esse aqui, foi bom".

  • Reservas via WhatsApp dispararam. A integração permitiu agendar pelo

Zap, e o canal cresceu 40% em duas semanas.

Terceira semana: o que mudamos no produto

  • Adicionamos um botão "Aprovar manualmente" no Kitchen Pass pra

quando o garçom achar que o prato está bom e a IA discorda. Cria histórico pro modelo aprender.

  • Mudamos o tom do Xatô — ficou mais direto, menos "assistente

formal". Começou a falar como o chef fala.

  • Aceleramos o fluxo de cadastro de fornecedor — em vez de tela

modal, virou autocompletar inline.

O que continua difícil

  • Tradução do conhecimento tácito do chef pra ficha técnica. Algumas

coisas o chef faz "por instinto" e não estão no padrão escrito. A IA precisa de padrão. Trabalho continuado.

  • Onboarding de garçom novo. O sistema é fácil pra quem usa todo dia.

Pra quem entra e usa pela primeira vez, ainda tem fricção.

O que isso virou pro produto

Cada problema acima virou release. Kitchen Pass refinado, Xatô recalibrado, fluxo de cadastro acelerado, botão de aprovação manual, modo de treinamento pra novato. Sem o piloto, eu teria construído um produto imaginado, não real. A próxima fase do beta entra em junho com mais 19 restaurantes. Cada um vai mostrar uma nova borda.

Sobre o autor

Anderson Henrique

Engenheiro de software com 8+ anos de experiência. Pernambucano, fundador do Chateau.ia. Trabalhou em projetos de tecnologia no Brasil, EUA, Reino Unido e Honduras.

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